Quando Ayrton Senna acertou com a Williams para
1994, a Fórmula 1 esperava um domínio ainda mais esmagador do que o
imposto por Mansell e Prost. Mas a equipe perdeu muito de sua força
com a proibição da maioria das ajudas eletrônicas, como suspensão
ativa, freio ABS e controle de tração. Ou seja, Senna teria de
trabalhar duro para ser tetra.
O modelo FW16 era arisco e Senna não se sentiu à vontade no
apertado habitáculo. Ajudado pela força do motor Renault, Senna
ainda fez a pole na abertura do Mundial, no Brasil, mas estava
sendo superado por Michael Schumacher seu ágil Benetton-Ford na
corrida quando abandonou após uma rodada. Na segunda corrida, o GP
do Pacífico, no Japão, Senna foi pole de novo, mas acabou jogado
para fora na primeira curva por Mika Hakkinen (McLaren). Com isso,
Schumi abriu 20 a 0 no placar sobre Ayrton.
Senna ainda se sentia desconfortável no cockpit do FW16 e a
Williams resolveu fazer mudanças na direção. Serrou a coluna para
rebaixá-la e dar mais espaço para as mãos de Senna, que batiam no
topo do habitáculo. Mas uma solda malfeita acabaria provocando seu
acidente fatal no GP de San Marino.
O fim de semana de Imola já vinha marcado pela tragédia,
com a morte de Roland Ratzenberger (Simtek) no treino de sábado e o
violento acidente de Rubens Barrichello (Jordan) na sexta. Na
corrida de domingo, um perturbado Senna liderou após largar da
pole, mas perdeu o controle de seu Wiliams na sexta volta após a
direção do Williams quebrar e o carro se espatifar no muro da curva
Tamburello. As lesões cerebrais foram irreversíveis.
Senna, que já estava liderando um movimento para cobrar
melhorias na segurança dos carros e pistas, acabou perdendo a luta
antes de começá-la efetivamente. Antes de morrer, Ayrton ainda
planejou uma homenagem a Ratzenberger: colocou no bolso uma
bandeira da Áustria para agitá-la após a corrida, quem sabe após
mais uma vitória.
A morte de Senna parou o Brasil. O velório foi acompanhado por
milhares de pessoas em São Paulo e o tricampeão foi enterrado na
quinta-feira seguinte no Cemitério no Morumbi. Na sua lápide a
frase "Nada pode me separar do amor de Deus".
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